Senti-pensares transcorporalmente uterinos

[PT] Era uma vez um corpo com útero, o meu. Durante anos eu me perguntava qual era seu propósito, para além das narrativas cisheteropatriarcais que me invadiam. Um dia descobri que meu útero estava crescendo e que já havia se expandido até o tamanho de uma gravidez de 4 meses. Eu estava grávida de mim mesmx. Minha própria narrativa dissidente havia se materializado dentro de mim sob a forma de um tumor benigno. Com meu útero parí minha própria lucidez quanto aos caminhos de minha politica-poetica física e emocional. Descobrí que transcorporalmente meu útero e eu somos muito mais poderosxs e geradorxs. Sem descendentes genéticos – e como parte de familias cuir expandidas e tantaculares – seguiremos nutrindo uma vida de amor radicalmente expandido, para todo sempre.

[ENG] Once upon a time I had a uterus in my body. For years I wondered what its purpose was, beyond the cisheteropatriarcal narratives that invaded me. One day I discovered my uterus had been growing and had already expanded to the size of a 4 month pregnancy. I was pregnant with myself. My own dissident narrative had been materializing itself within me in the form of a benign tumor. With my uterus I birthed my own lucidity regarding the paths of my physical and emotional politics-poetics. I discovered that transcorporeally my uterus and I are much more powerful and generative. With no genetic descendants and as part of cuir transnational and tentacular families, we shall continue nurturing a life of/in radically expanded love, forever after.

Dani d’Emilia, Lisboa
Nov 2017 (10 months after my hysterectomy)

Dani d’Emilia – U TE(A)R US durational performance, POA (Brasil), 2011

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