Dis-solution Practices / Práticas de Dis-solução

[PORT] As Práticas de Dis-solução são uma colaboração entre Dani d’Emilia e Fernanda Eugenio, que desdobra a pesquisa a que têm se dedicado desde 2018, à volta da elasticidade das capacidades de vinculação íntima com o desconhecido/desconhecível e de possíveis percursos para a ativação de modulações não-hierárquicas e disseminadas do amor. Em uma primeira etapa desta pesquisa, criaram as Práticas de Des-imunização, focando-se em modos de retomada dos territórios afetivos imunizados pelos mecanismos da indiferença e do fechamento identitário, característicos dos funcionamentos hegemônicos entre humanos e de um enquadramento colonial-capitalístico. Sem que este trabalho nunca se dê por terminado, em 2020, fortemente influenciades pela pandemia covid-19, essa pesquisa foi se expandindo a um nova zona de investigação, as Práticas de Dis-solução. Procurando transmutar as condicionantes em condições e fazer da “falta de contato físico” entre humanos uma brecha para alargar as experimentações na direção de um repertório de intimidade relacional mais vasto, estas práticas buscam um contato sensível com o fundo comum da Vida – feito não só do entrelaçamento com outres nomeáveis como “semelhantes”, mas também da imbricação de cada ume com o corpo da Terra, com a vastidão ilimitada da vida para além e aquém das formas.

Apostando na sintonização com as valências da (dis)solvência como meio para pesquisar possíveis “foras” do regime hegemônico da solução, as Práticas de Dis-solução trabalham com a matéria íntima/pessoal para atravessá-la, mirando sintonizações com o infra e o transpessoal que permitam repousar no tecido da inseparabilidade, descansar no sentir distribuído e percorrer todo o espectro das sensações até a sua borda se (des)integrar no fora/dentro. 

Num primeiro ciclo, que integrou a edição piloto da Escola do Reparar (Agosto-Dezembro, 2020), as Práticas de Dis-solução entraram em conversa com as Dez Posições ante o Irreparável, ferramentas-conceito criadas por Fernanda Eugenio, que funcionaram como tema para as atividades daquele ano. Deste encontro emergiu uma primeira série de ações psicossomágicas, programas performativos para operar no sensível através de uma formulação mágico-ritual que ativa operações de dis-solução: (des)integração, trans-formação, (trans)bordamento, com-temporaneidade e re-pouso.

Um primeiro ciclo de criações aconteceu ao longo do programa stANDing da edição edição piloto da Escola do Reparar (Agosto-Dezembro, 2020), quando as Práticas de Dis-solução entraram em conversa com as Dez Posições ante o Irreparável, de Fernanda Eugenio, que funcionaram como tema para as atividades daquele ano. Deste encontro emergiu uma série de Ações Psicossomágicas, programas performativos para operar no sensível através de uma formulação mágico-ritual que ativa operações de dis-solução: (des)integração, trans-formação, (trans)bordamento, com-temporaneidade e (re)pouso.

Ao longo deste período, Dani e Fernanda realizaram transmissões online quinzenais nas quais partilharam um pouco do processo de investigação/criação destas práticas. Algumas imagens de registro, captadas na Residência LAND (Algarve, agosto 2020) e no Roundabout LX (Lisboa, setembro-dezembro 2020) podem ser vistas AQUI.

A video-série ‘Ações Psicossomágicas para as Dez posições ante o Irreparável‘, sintetizada em cinco vídeos inéditos, com edição de Pedro Henrique Risse, será exibida online integrando o programa stANDing da Escola do Reparar 2021. Os vídeos estreiam quinzenalmente entre 7 de Maio e 2 de Julho 2021 e ficam disponíveis gratuitamente no canal youtube andlab.reparar. A série é composta por cinco espisódios, cada um abordando as práticas de Dis-solução em conversa com uma dupla de palavras-posições: (an)coragem & co(m)passionamento, constistência e comparência, firmeza e franqueza, suficiência e justeza, des-ilusão e des-cisão.

No programa stANDing 2021 da Escola do Reparar, além da estreia pública dos vídeos as Práticas de Dis-solução serão desdobradas através de uma entrada em interlocução com a investigadora Sarah Amsler, Professora Associada do departamento de Educação da Universidade de Nottingham, Reino Unido, e parte do coletivo Gestos Rumo a Futuros Decoloniais.

A partilha desta nova etapa será feita em duas apresentações presenciais: 24 de julho, no espaço Orla (Bensafrim, Lagos, Algarve) e dia 31 de julho na Penhasco, em Lisboa.

[ENG]

The Dis-solution Practices are a collaboration between artist Dani d’Emilia and by Fernanda Eugenio, which unfolds the research they have been dedicated to since 2018, around the elasticity of the capacities for intimate connection with the unknown/unknowable and of possible inroads for the activation of politicized, non-hierarchical and disseminated modulations of love. Placing the Modus Operandi AND and Radical Tenderness in conversation, this collaboration began in 2018 with the Dis-immunization Practices, focusing on ways of reclaiming the affective territories immunized by mechanisms of closure-protection-indifference characteristic of relationships between humans in a hegemonic colonial-capitalistic framework. With the pandemic and its emergency demand for biological immunization, the conditions of proximity that allowed this work in the affective dis-immunization to alterity were compromised. At the same time, it became more urgent to attune with the broader wisdom of Life itself – composed not only by the intertwining with others named as ‘similar’, but also by the entanglement of each one in/as the body of the Earth, and the unlimited vastness of life beyond and below forms. From this context, in 2020, emerged the Dis-Solution Practices, an attempt to make the ‘lack of physical contact’ between humans an opening for the collectivization of affect, expanding experiments towards a wider repertoire of relational intimacy that mobilizes radical love with other more-than-human forms of life.


Attuning with the valences of (dis)solvency as a means of researching possible “outer zones” of the hegemonic regime of solution, the Dis-solution Practices work through intimate/personal matters as portals for attunement with the infra and the transpersonal, proposing psychosomagic rituals as invitations to affectively surrender to the fabric of inseparability, resting in the whole spectrum of sensations until its outside/inside edge (dis)integrates.

A first cycle of creations took place within the 2020 program of School of Reparar (Aug-Dec 2020), in which the Dis-solution Practices entered into conversation with the Ten Positions in Face of the Irreparable, by Fernanda Eugenio, that functioned as theme for all activities in that year. From this encounter emerged a series of Psychosomagic Actions, performative programs to operate in the sensitive field through magical-ritual formulations that activate dis-solution operations: (dis)integration, trans-formation, (trans)bordering, con-temporaneity and (re)landing.


Throughout this period, Dani and Fernanda did biweekly broadcast in which they shared some elements of the reserch process of the creation of these practices. Some documentation images from the residencies which took place in (Algarve, august 2020) e no Roundabout LX (Lisboa, sept-dec 2020) can be seen HERE.


The video series Psychosomagic Actions for the Ten Positions in Face of the Irreparable was synthesized in five videos by Pedro Henrique Risse, will be exhibited online integrating the stANDing program of School of Reparar 2021. The videos premiere biweekly between may 7th and July 2nd 2021 and are available online for free in the in the andlab.reparar youtube channel. Each episode is based on the encounter of the dis-solution practices with two concept-tools: (An)c(h)ourage and Co(m)passionment, Consistency and Compearance, Firmness and Frankness, Sufficiency and Justness, Dis-illusion and De-scission


In addition to the public premiere of the videos (May 7 to July 2, every two weeks on Fridays), the Dis-solution Practices will be unfolded in conversation with researcher Sarah Amsler, Associate Professor at the Department of Education, University of Nottingham (UK), and member of the collective Gestures Towards Decolonial Futures.